Mulher é denunciada por estelionato e falsa identidade depois de se passar por criança
Marco Aurélio Braga
14 de junho de 2026
Uma mulher de 37 anos foi denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por estelionato e falsa identidade depois de se passar por uma criança de 11 anos e enganar um casal em Joinville. Ela teria criado uma personagem falsa e simulado situações de vulnerabilidade para obter vantagens materiais, como moradia, alimentação, transporte e medicamentos, entre fevereiro de 2025 e junho de 2026. A denúncia já foi recebida pela Justiça na tarde de terça-feira (9/6). Na ação penal, o MPSC requer a condenação da mulher pelos crimes imputados a ela.
A ação narra que a acusada teria criado a identidade fictícia de “Gabriele Ferreira dos Santos”, simulando ser uma criança. A estratégia permitiu que ela fosse acolhida pelas vítimas, que passaram a custear integralmente sua subsistência, incluindo moradia, alimentação, transporte, comemoração de aniversário e até medicamentos de alto custo para emagrecimento.
A denúncia relata que a ré teria utilizado uma narrativa de abusos e situações graves, como supostos maus-tratos por parte de familiares e exploração, para sensibilizar as vítimas. Para dar credibilidade à história, ela teria adotado comportamentos compatíveis com a identidade fictícia, como fala infantilizada, uso de objetos típicos da infância e simulação de crises emocionais.
A Promotora de Justiça Viviane Soares, responsável pelo caso, ressaltou a gravidade da conduta atribuída à denunciada. “Os elementos colhidos indicam um esquema elaborado de fraude, com a criação de uma identidade fictícia e a manipulação emocional das vítimas para obtenção de vantagens indevidas, o que demanda a devida responsabilização criminal”, afirmou.
Incidente de insanidade mental
Uma decisão judicial determinou a instauração de um incidente de insanidade mental para avaliar a condição psicológica da denunciada, presa em flagrante sob suspeita de estelionato e falsa identidade. A medida atende ao pedido da defesa e prevê a realização de exame médico para verificar a capacidade da investigada de responder pelos próprios atos.
A instauração do incidente de insanidade mental surge como etapa paralela no processo. Caso seja constatado que a ré não tinha plena capacidade de entendimento ou autodeterminação na época dos fatos, o resultado poderá influenciar diretamente os rumos da ação penal, incluindo a eventual aplicação de medida de segurança em vez de pena privativa de liberdade. Enquanto aguarda o exame e o laudo, o processo ficará suspenso.
Passagem por diversas cidades
De acordo com o auto de prisão em flagrante, a acusada também teria atuado em outras cidades e estados. Conforme consta no inquérito policial, ela teria adotado condutas similares em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e, em Santa Catarina, Florianópolis e Chapecó. Na cidade do Oeste catarinense, ela responde a uma ação penal por fatos similares.